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segunda-feira, junho 10, 2024
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Osteoporose: a importância em prevenir, rastrear, diagnosticar e tratar!

A osteoporose, a doença osteometabólica mais comum em adultos, tem recebido crescente atenção devido ao aumento da expectativa de vida e ao envelhecimento da população mundial. Sua incidência está aumentando, causando um grande impacto nos custos de assistência médica, na qualidade de vida e no aumento da mortalidade devido a complicações, como fraturas de fêmur. Segundo a International Osteoporosis Foundation (IOF), a osteoporose é uma doença sistêmica do esqueleto caracterizada pela diminuição da massa óssea e alterações na microestrutura óssea, o que aumenta a fragilidade óssea e o risco de fraturas por traumas menores. Importante lembrar que é uma doença silenciosa e não é a causa das dores nos pacientes.

A prevalência da doença é alta, como demonstrado por um estudo britânico que revelou que 50% das mulheres e 20% dos homens com mais de 50 anos sofrerão uma fratura por osteoporose em algum momento de suas vidas. A osteoporose causa uma fratura a cada três segundos no mundo, totalizando aproximadamente 8,9 milhões de fraturas por ano.
É crucial entender a “Cascata Fraturária” para compreender como uma fratura prévia aumenta o risco de novas fraturas. A fratura de rádio distal é a fratura sentinela em indivíduos com osteoporose, aumentando 2 vezes o risco de sofrer uma fratura vertebral, que por sua vez aumenta 5 vezes a chance de ter uma fratura de quadril. A fratura de quadril é a complicação mais grave, com uma taxa de mortalidade de 20% nos primeiros seis meses após a fratura. As mulheres têm quatro vezes mais chances de sofrer uma fratura de quadril do que os homens. Além disso, 70% das fraturas vertebrais são assintomáticas e, portanto, muitas vezes não são diagnosticadas.

No Brasil, o estudo BRAZOS revelou que os principais fatores de risco clínicos associados a fraturas são histórico de quedas (que elevam o risco de fraturas de baixo impacto), qualidade de vida reduzida, dieta inadequada, diabetes mellitus e uso de antidepressivos. Existem, no entanto, diversos fatores de risco significativos para osteoporose, incluindo ser do sexo feminino (devido à menopausa e à consequente queda de estrogênio, que protege os ossos), ser de raça branca, ter mais de 60 anos, pesar menos de 55 kg, ter sofrido uma fratura de baixo impacto (trauma igual ou menor que uma queda da própria altura) após os 40 anos, ter histórico familiar de fratura após os 50 anos nos pais, levar uma vida sedentária, ser fumante atual e consumir mais de 2 doses de bebidas alcoólicas por dia. Além disso, o uso de certos medicamentos, como glicocorticóides, inibidores de aromatase, anticonvulsivantes, antidepressivos e inibidores de bombas de prótons, também pode ser um fator de risco. Doenças hematológicas, endocrinológicas, reumatológicas, renais e pulmonares também podem afetar a saúde óssea.

A osteoporose pode ser identificada pela presença de fraturas de baixo impacto, mesmo sem alterações na densidade mineral óssea, conforme revelado pelos exames de densitometria óssea. Este tipo é conhecido como osteoporose clínica. Também existem casos em que a densitometria óssea mostra alterações na densidade mineral óssea, sem um histórico de fratura por fragilidade, ou quando há fraturas por fragilidade e alterações na densidade mineral óssea. Ambos os casos são classificados como osteoporose densitométrica. Ao diagnosticar a osteoporose, é essencial procurar possíveis causas secundárias que possam estar causando a alteração na densidade mineral óssea, pois o tratamento da osteoporose por si só pode não ser eficaz se ela for causada por outra condição médica. Portanto, é necessário solicitar exames laboratoriais e outros exames de imagem para descartar causas secundárias que possam estar contribuindo para a perda de massa óssea.

A densitometria por absorciometria de raio x de dupla energia (DXA) é a técnica mais utilizada para avaliar a densidade mineral óssea (DMO) na prática clínica e é considerada o padrão-ouro para o diagnóstico não invasivo de osteoporose, de acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Devido à baixa radiação de 1-5 mSv, não é necessário uma sala protegida com chumbo, é bidimensional e a imagem é adquirida rapidamente. Possui excelente precisão e reprodutibilidade, detectando a partir de 5% de perda de massa óssea. A densitometria óssea é uma ferramenta essencial na prática médica, desempenhando um papel crucial na avaliação do prognóstico, estimativa do risco de fratura e monitoramento do tratamento da osteoporose e da osteopenia. Além disso, ela é capaz de realizar uma avaliação da composição corporal.

Existem várias situações em que a realização de uma densitometria óssea é indicada. Por exemplo, é recomendada para mulheres a partir dos 65 anos, bem como para mulheres na pós-menopausa ou que interromperam a terapia de reposição hormonal. Além disso, é aconselhada para mulheres de baixo peso, que tiveram uma fratura prévia, que estão usando medicação ou que têm uma doença que aumenta o risco de fratura. Os homens também são aconselhados a realizar uma densitometria óssea a partir dos 70 anos. No entanto, se houver um fator de risco, como uma fratura prévia, o uso de medicação ou uma doença que aumente o risco de fratura, a densitometria óssea pode ser realizada antes dos 70 anos. Além disso, a densitometria óssea é indicada para adultos que sofreram uma fratura por fragilidade, que estão usando medicamentos ou que têm uma doença que altera a massa óssea. Também é recomendada para qualquer paciente que esteja considerando iniciar o tratamento farmacológico para osteoporose ou para monitorar o tratamento. Portanto, a densitometria óssea é uma ferramenta valiosa na prática clínica, desempenhando um papel importante na prevenção e tratamento da osteoporose e da osteopenia.

Gostaria de deixar um alerta sobre a prevenção da osteoporose, pois é um aspecto essencial na manutenção da saúde óssea. Aqui estão algumas recomendações para prevenir a osteoporose:

1) Exposição regular ao sol da manhã: A luz solar é uma fonte natural de vitamina D, que é essencial para a absorção de cálcio pelo corpo.
2) Não fumar: O tabagismo pode contribuir para a perda óssea.
3) Evitar o consumo excessivo de café e bebidas alcoólicas: Ambos podem interferir na absorção de cálcio.
4) Exercício físico: Atividades como caminhadas e exercícios que exigem força muscular podem ajudar a fortalecer os ossos.
5) Dieta rica em cálcio e vitamina D: O leite e seus derivados são excelentes fontes de cálcio. A ingestão diária recomendada de cálcio é de 800 a 1.200 mg.
6) Prevenção precoce: É importante começar a prevenção antes dos 40 anos.

Em conclusão, a realização regular de exames de densitometria óssea é fundamental para monitorar a saúde dos ossos. Se a osteoporose for identificada, é indispensável investigar possíveis causas secundárias que possam estar levando à perda de massa óssea. A osteoporose pode ser prevenida e tratada através do gerenciamento de fatores de risco, garantindo a ingestão adequada de cálcio e vitamina D, e praticando exercícios de suporte de peso e impacto. Não espere até que ocorra uma fratura de baixo impacto. Procure acompanhamento médico regular e, se não for possível prevenir a primeira fratura, tome medidas para evitar que a próxima ocorra. Lembre-se, a chave é PREVENIR, RASTREAR, DIAGNOSTICAR E TRATAR quando necessário! A saúde dos seus ossos é fundamental para a sua qualidade de vida. Cuide bem deles!

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Dra Larissa Lopes de Souza Ortopedia e traumatologia – RQE 51191 Área de Atuação em Densitometria óssea pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e diagnóstico por imagem (CBR) – RQE 60641 Membro titular da Sociedade Brasileira de ortopedia e Traumatologia – TEOT 17732 Pós Graduação em Doenças Osteometabólicas Membro do Comitê de Doenças Osteometabólicas da SBOT

 

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