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sexta-feira, dezembro 3, 2021
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Oncologia Ortopédica

Caso clínico

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Dr. Adriano Jander Ferreira. Membro Titular da Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO). Mestre em Ciências da Saúde. Assistente do grupo de Oncologia Ortopédica do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM)

HPMA: Trata- se de criança do sexo masculino, 3 anos de idade, com relato de claudicação e dor no joelho direito.
Ao exame físico: BEG, afebril e apresentando dor importante à palpação da porção medial da tíbia proximal direita sem sinais flogísticos locais.
Exames de imagem: A radiografia simples e a tomografia computadorizada evidenciaram lesão lítica, excêntrica, localizada na porção metafisária proximal da tíbia, de limites mal definidos e com ruptura da cortical medial. A ressonância magnética demonstrou lesão com as mesmas características anteriormente descritas associadas a níveis líquidos. A Cintilografia óssea evidenciou lesão monostótica com hipercaptação periférica na porção proximal da tíbia direita.
Conduta: Qual a conduta? De acordo com a sua principal hipótese diagnóstica, a conduta será conservadora ou cirúrgica? Feito opção por conduta cirúrgica, qual o método de escolha? Quais as restrições iniciais ao paciente? Qual o protocolo de seguimento com exames de imagem após conduta conservadora ou procedimento cirúrgico?

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Exames: RX, TC, cintilografia óssea, RM.

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Exames: RX, TC, cintilografia óssea, RM.

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Dr. Roberto Reggiani Membro Titular da Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO). Mestre em Ciências da Saúde.

Diagnóstico: 1-NÃO é cisto ósseo simples, pois o COS, quando acomete a metáfise de ossos longos é central tem forma ovalada. 2- Condroblastoma NÃO é pois desta lesão é metafisaria e o condroblastoma é epifisário. 3- Fibroma não ossificante não apresente nível liquido e dificilmente acometeria a placa de crescimento. 4-Granuloma eosinofílico é um a hipótese diagnóstica, devido a idade do paciente, lesão lítica, excêntrica, ausência de reação periostal. 5-Cisto Ósseo Aneurismático também é uma hipótese provável, pois tem conteúdo liquido, homogêneo e excêntrica. 6- Não penso em tumor maligno ou infecção.
Conduta: Biópsia
Tratamento: Se o resultado for cisto ósseo aneurismático – tentaria o uso de calcitonia intra lesional com corticoide, se não conseguir a medicação, curetagem cuidadosa pela proximidade da placa de crescimento. Se for granuloma eosinófilo- a maioria das vezes só de fazer a biopsia a lesão ossifica, e isto não acontecer varia infiltração de corticoide intra lesional. Seguimento mensal, pois a placa de crescimento pode estar acometida e provocaria deformidade no membro, se for necessário fechar a placa de crescimento lateral para não piorar a deformidade e no futuro alongamento ósseo

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Dra. Carla Aparecida Pinheiro Membro Titular da Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO). Mestre em Ciências da Saúde. Grupo de Oncologia Ortopédica do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia

Para definirmos a conduta cirúrgica ou conservadora é necessário que se tenha o diagnóstico do paciente. E se levarmos em consideração a idade e as características apresentadas nos exames que não apresentam sinais de agressividade, as hipóteses diagnósticas são Cisto Ósseo Aneurismático, Condroblastoma, Granuloma Eosinofílico e com menos frequência displasia fibrosa e osteossarcoma telangectásico.
No entanto, para que tenhamos o diagnóstico correto, tomemos a conduta mais segura e na dúvida de estarmos diante de uma lesão mais agressiva, a biópsia da lesão é a conduta mais segura.
Pensando em Cisto Ósseo Aneurismático já com rompimento da cortical as opções de tratamento dependem da localização da lesão e são: 1- curetagem juntamente com um adjuvante e colocação de enxerto ósseo para preenchimento da cavidade. 2-procedimentos percutâneos, como injeção de agentes esclerosante, radioablação e embolização seletiva arterial.
O nosso método de escolha é a injeção com calcitonina, um agente esclerosante e metilpredisolona. O paciente inicialmente deverá permanecer sem carga e posteriormente deverá ser avaliado mensalmente e se espera que no segundo mês seja possível ver a consolidação da lesão.

Desfecho do caso

De acordo com as características dos exames de imagem (evidências de uma lesão de aspecto benigno), associado a idade do paciente, foi indicado biópsia percutânea com agulha grossa, estímulo das paredes da cavidade com a própria agulha, seguido da injeção de metilprednisolona intralesional em tempo único. O resultado anatomo-patológico demonstrou tratar se de um cisto ósseo aneurismático.
Paciente assintomático a partir da terceira semana e com liberação de carga total a partir da sexta semana.

blankblankblankProcedimento. Controle radiográfico com 3 meses, 6 meses, 12 meses.

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