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sexta-feira, dezembro 3, 2021
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Joelho

Caso clínico

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Dr. Paulo Cesar Caires de Carvalho Membro Titular da Sociedade Brasileira Cirurgia do Joelho. Clinica Orthopedica, Santa Casa de Caridade de Montes Claros-MG.

HPMA: paciente do sexo feminino, 75 anos de idade com relato de dor persistente em região medial do joelho esquerdo.
Ao exame físico: IMC de 27, arco de movimento normal, normo eixo bilateral e estabilidade ligamentar. Apresenta dor em interlinha medial com presença do sinal de Smilie e one finger point.
Exames de imagens: radiografia simples e ressonância evidenciam lesão meniscal medial, redução de espaço com pinçamento e sinais de artrose no compartimento.
Conduta: Qual a conduta? Cirúrgica ou conservadora? Se conservadora, quais as opções e até quando insistir? Se cirúrgica, quais as opções?

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Exames: RX e Ressonância magnética – Joelho esquerdo.

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Dr. Romero Iago Freitas Mendes Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Joelho Coordenador do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do HUCF – Universidade Estadual de Montes Claros

Nos casos de osteoartrose de joelho, inicio o tratamento com medidas conservadoras com fisioterapia, reequilíbrio muscular e mudanças de estilo de vida que visem preservar a vida útil da articulação. Nos casos em que tais medidas falham, opto pelo tratamento cirúrgico. Neste caso trata-se de paciente na oitava década de vida, com quadro de artrose medial e lesão meniscal medial com menisco extruso. Optaria pela artroplastia de joelho. Entraria com as duas opções na sala de cirurgia: prótese unicompartimental e prótese total de joelho. Não são incomuns os pacientes nesta idade, com pouco comprometimento radiográfico, apresentarem na inspeção articular lesões tricompartimentais. Minha decisão neste caso seria intra-operatorio e caso não encontre nenhum sinal degenerativo relevante nos demais compartimentos, faria a opção pela prótese unicompartimental. Caso identifique alterações degenerativas femoropatelar ou femorotibial lateral, que coloquem em risco o resultado e a sobrevida a longo prazo da prótese unicompartimental, optaria pela artroplastia total de joelho.

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Dr. Carlos Maurício Dutra Mourão Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho Coordenador do serviço de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de Montes Claros

Nos casos de artrose do joelho, minha conduta inicial é via de regra conservadora. No paciente idoso e com sobrepeso como do caso apresentado, sabemos que a perda ponderal é fator fundamental para a melhora do quadro de dor, medidas suportivas, analgésicos e condroprotetores quando indicados, e terapia motora com ganho de força muscular são também muito importantes. Nos casos refratários ao tratamento conservador, principalmente naqueles pacientes com dor frequente para a realização das atividades básicas da vida diária, sem melhora após a insistência nessas terapias, eu proponho o tratamento cirúrgico ao paciente.
Nesse caso, considerando-se a idade da paciente o tratamento proposto seria a artroplastia do joelho, podendo a mesma ser artroplastia total ou unicompartimental.
Em pacientes mais idosos, pelo risco de progressão da artrose nos compartimentos não afetados, frequentemente opto pela artroplastia total, com intuito de evitar uma revisão precoce da artroplastia.
Quando a opção é pela artroplastia unicompartimental, solicito também o material para artroplastia total, após artrotomia avalio os demais compartimentos e caso haja sinais de comprometimento ligamentar ou condral importante optamos pela artroplastia total. Atualmente realizo em grande maioria dos casos a artroplastia total do joelho.

Desfecho do caso

De acordo com o exame físico, queixas mediais apenas, idade, biótipo defini pela artroplastia unicompartimental.
No ato cirúrgico, a paciente foi submetida à raquianestesia associada ao bloqueio do canal dos adutores e das geniculares superomedial, superolateral, ínferomedial, ínfero lateral. Acido tranexâmico EV realizado na indução anestésica, sem o uso de torniquete. Realizada prótese unicompartimental medial (Oxford, Zimmer – Biomet). No pós-operatório permitida a flexão até noventa e a deambulação com auxílio de andador no mesmo dia do ato. Aplicação de gelo imediato. O curativo é realizado com Aquacel Ag+ Convatec com troca a cada 5 dias. Mantem-se os exercícios circulatórios e de ganho de ADM. A retirada de pontos se faz com 21dias e a fisioterapia é então iniciada e mantida por um mês. Após esse período, iniciamos a atividade que gerar mais prazer e comodidade para a paciente.

Controle radiográfico pós-operatório.

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