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sexta-feira, dezembro 3, 2021
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Entrevista Dr. Pedro Benevides

1. O que motivou fazer uma subespecialidade e por que outro estado?

Penso que a subespecialidade hoje é especialmente importante quando temos a intenção de trabalhar em uma região com grande oferta de ortopedistas. Ter o diferencial que fará o paciente buscar o seu consultório. Hoje o paciente vem com uma queixa específica, por vezes com diagnóstico e até tratamento, muitas vezes equivocados. E nesse ponto entra o papel do especialista. Sendo diferente do que era valorizado anteriormente, em que um médico era procurado para investigar várias áreas.

O interesse de fazer em outro estado veio pela oportunidade de conhecer outras rotinas, novas tecnologias, formas de raciocínio e outros cirurgiões. Graças aos rodízios da residência e ao enorme privilégio de ter um especialista da área em casa, pude conhecer várias equipes em Belo Horizonte. Além disso meu plano era retornar a BH após a subespecialização, por isso considerei a oportunidade de poder sair um pouco do circuito que já estava inserido e trazer outras possibilidades. E foi excelente! Sou muito grato pela receptividade e dedicação da equipe do Einstein!

2. Porque escolheu

A escolha da subespecialidade passou por afinidade com a clínica, pela disponibilidade no mercado de trabalho e certamente por uma vivencia familiar. Sou extremamente agradecido e não tenho restrição em falar que fui influenciado e muito positivamente pelo meu pai Dr Wilel Benevides.

A clínica e cirurgia do pé e tornozelo me atraíram inicialmente pelo tipo de procedimentos, em geral mais curtos e também pela rotina do consultório, bastante dinâmico. Em relação ao campo de trabalho havia a possibilidade de mais um especialista de pé e tornozelo no hospital em que fiz residência, e esse era um dos principais objetivos.

3. Preparação para a subespecialização, dicas aos residentes

A preparação foi dedicada ao processo de seleção do serviço que era a análise dos currículos, uma prova objetiva e uma entrevista.

A organização do currículo Lattes e mantê-lo atualizado é de extrema importância. É a nossa primeira forma de apresentação ao serviço. Antes mesmo de conhecer pessoalmente os coordenadores o currículo dará o perfil do candidato, a caminhada acadêmica até ali e será avaliado e decisivo no processo.
Para a prova objetiva indico buscar informações com os residentes anteriores, por exemplo existem serviços que aplicam questões apenas sobre a subespecialidade, outros elaboram questões sobre ortopedia no geral. A preparação para o TEOT facilita a busca das questões para treino.

Em relação a entrevista o mais importante é ser verdadeiro e mostrar disposição para o programa. Se será capaz de atender as expectativas do serviço em relação a carga horária e produção científica. Isso vale principalmente para programas em outro estado pois o deslocamento rotineiro para a cidade natal pode ser muito desgastante e demandar muito tempo. Demonstrar flexibilidade de horários também é importante. A entrevista pode ser o momento de esclarecer essas questões operacionais.

A dica é conhecer ao máximo o programa antes de se tentar a vaga. Avaliar se é factível, o perfil do serviço, possibilidade de moradia, deslocamentos dentro da cidade e se está disposto a tarefa.
Outra dica é mostrar que será capaz de manter uma vida normal morando em outra cidade, capaz de ter hobbies, esporte e qualidade de vida.
E claro, ficar atento aos prazos estipulados pelo serviço para envio da documentação.

4. Planejamento financeiro

Particularmente não fiz um planejamento. A sugestão é calcular previamente os gastos como aluguel, deslocamentos, se haverá necessidade de um carro próprio, levando em conta o custo de vida da cidade. Acho que a possibilidade de dividir apartamento com outros residentes é bastante válida. E logo no início avaliar possibilidade de trabalho nos horários alternativos aos do programa.

5. Visita ao serviço

Não visitei o serviço antes, apenas no dia da entrevista. Porém, no ano anterior, pude conhecer os residentes que tinham feito o programa e alguns preceptores e esses me apresentaram o perfil de trabalho e a partir daí me interessei.
Se houver possibilidade de visitar o serviço no R3 é bastante válido. Conhecer o trabalho, a cidade, os colegas e definir se é realmente o que procura.

6. Dica aos residentes

Inicialmente estudem para o TEOT! Pré-requisito para os serviços e com o título em mãos os próximos passos serão bem mais fáceis. Escolha a especialidade levando em conta não apenas a afinidade com a área, considere também o mercado de trabalho de onde deseja viver, seus objetivos pessoais e mantenha-se atento as oportunidades que venham a surgir.

Boa sorte!

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